Diário De Aventura – Lucília Nardi

Aposentados e filha exploram Austrália em 50 dias

Muitos pais não conseguem esperar o retorno dos filhos e os visitam durante o intercâmbio. Eles aproveitam as férias para conhecerem a rotina dos estudantes no novo país e também a própria Austrália.

A nossa agente educacional Lucília Nardi teve esta experiência. Ela recebeu o pai, Luiz Carlos Peçanha, 73, e a mãe, Leonice Peçanha, 71, para uma visita de 50 dias à terra dos cangurus.

Segundo Luci, a viagem de avião, apesar de cansativa, foi tranquila, já que optaram pela rota com conexão no Chile, em que o tempo de viagem é menor. “Procurei brasileiros que estavam vindo para tentar ajudá-los por causa do inglês, o que estava os deixando bem inseguros. Também fiz um tipo de pré-embarque com uma lista de vocabulários para pedir informação, placas de aeroporto e frases estratégicas para que eles pudessem se virar em uma emergência. No fim, eles fizeram bastante amizade no avião e receberam ajuda de uma estudante da Good Day que estava no mesmo voo de Santiago para Sydney”.

Roteiro

As férias foram divididas entre Sydney, onde Luci estuda, trabalha e mora, e algumas cidades do Estado de Queensland, famoso pelas praias paradisíacas e a Grande Barreira de Coral.

Na capital de New South Wales, o trio aproveitou bastante os pontos turísticos mais famosos, como Ópera House, Harbour Bridge, Bondi Beach, Botanic Garden, entre outros.

“Eu moro em Randwick, então, ensinei eles a pegarem ônibus para a city, Bondi e Coogee, lugares que eles visitaram bastante enquanto eu trabalhava. Eles amaram o mercado daqui. Foram toda hora buscar frutas, verduras e castanhas”, relembra a agente.

Ir à missa também foi um dos passeios preferidos do casal aposentado de Atibaia. Uma das Igrejas frequentadas por eles é dedicada totalmente à comunidade brasileira, fazendo a celebração toda em português.

ATENÇÃO: É importante checar a disponibilidade do transporte público para pontos turísticos. A visita da família a Blue Mountains teve que ser de ônibus, já que, no dia, os trens para a cidade de Katoomba não estavam funcionando, o que deixou o passeio mais cansativo.

Em Queensland, o trio optou pelo avião para chegar em Cairns, e depois voltar para Sydney, e por alugar um carro, o que possibilitou explorar melhor o Estado.

Luci aconselha a pesquisar bem sobre os passeios, já que existe diferença na qualidade e naquilo que é oferecido. “Fechamos um passeio de barco para visitar a barreira de corais em que estava incluso buffet e música ao vivo. Estas atrações fizeram a diferença no trajeto de quase quatro horas, contando ida e volta”.

Ela também sugere o passeio de helicóptero que sobrevoa a Grande Barreira como outra opção caso os pais ou o próprio estudante não forem muito ativos ou tiverem alguma restrição física. Além disso, segundo a agente, “no barco, ainda que seja uma experiência incrível, você nunca terá a visão da magnitude da barreira”.

Mergulhar de snorkel encantou o casal de aposentados. “Foi algo bem diferente para eles, mas eu tive que ficar cuidando e ajudando porque o instrutor não ficou o tempo todo com a gente”, conta Luci.

Depois de visitar o Patrimônio Natural da Humanidade, a família seguiu para Townsville, cidade que acharam muito bem planejada e bonita. Um dos atrativos é Magnetic Island, ilha com um parque nacional de 27 km2, santuário de aves e diversas trilhas, que podem ser realizadas entre as baías e destinos turísticos, como os fortes da Segunda Guerra Mundial.

“Vale a pena conferir esta ilha. Fizemos uma trilha que levou a uma praia de nudismo, o que foi bem engraçado. O meu pai assustou com a situação inusitada, mas eles não ficaram desconfortáveis”, relembra a agente.

O último destino antes de retornar a Sydney foi Airlie Beach, servindo de base para explorar a região de Whitsunday Islands. A família ficou encantada com Whitehaven Beach.

Além de conhecer muitas praias, eles fizeram bastante churrasco para viver a experiência genuína de uma vida aussie.

Dica do aventureiro: “Calcule o tempo a ser gasto nos passeios com mais folga e faça um roteiro mais maleável, especialmente se estiver com pessoas mais idosas. Na Austrália se anda muito e isso pode cansar quem não está acostumado”.

Impressões

A maior dificuldade do casal de idosos foi a língua inglesa, mas isso não os impediu de interagir com outras pessoas além da filha. Além de utilizar recursos mais tecnológicos, como aplicativos de tradução, Luiz e Leonice conseguiram se comunicar também por gestos. “A gente acha que por eles não saberem falar inglês não terão nenhuma experiência social. Mas eles criaram um conexão muito rápida com as pessoas ao redor, pediam para tirar fotos com quem gostavam e tentavam interagir como dava, como mímica, por exemplo”, conta Lucília.

Ela também aconselha a planejar a viagem dos familiares para quando o próprio estudante já estiver mais à vontade no novo país. “Se a ideia da pessoa é ficar de um a dois anos na Austrália, eu recomendo receber familiares e amigos quando já estiver mais adaptado ao inglês, porque você será o ponto focal, vai ter que traduzir tudo e apresentar o país aos visitantes. Eu acho que consegui ter uma experiência legal porque já tinha uma visão de Austrália, já sabia o que diferenciar um passeio legal de uma furada e pude ser intérprete dos meus pais”.

***

E aí? Se animou para fazer uma viagem em família pela Austrália? Se quiser saber mais sobre intercâmbio na terra do canguru, fale com a gente!

Noelle Marques

Noelle Marques - Journalist

Leave a Reply